Se perguntarem
Se perguntarem por onde ando, diga que fiquei sem voz para brandir.
Calaram-me.
Se quiserem saber como vou indo. Diga que não fui, simplesmente sentei na beira do caminho.
O tempo passa.
E se ainda insistirem em saber pelo que minha alma anseia. Diga que já sei de todos os abismos.
Aprendi com as nuvens a vagar na imensidão do firmamento.
Sei de chãos e pedras.
Meus sapatos são gastos.
Meus olhos cansaram de ver a mesma coisa e se foram para algum canto, onde a visão não importa.
Importa a paisagem.
Escrito por Tânia Rodrigues às 09h25
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Quem cala.com sente!
Na primeira noite, eles se aproximam e colhem uma flor de nosso jardim. E não dizemos nada. Na segunda noite, já não se escondem, pisam as flores, matam nosso cão. E não dizemos nada. Até que um dia, o mais frágil deles, entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E porque não dissemos nada, já não podemos dizer nada.
Maiakovski
Escrito por Tânia Rodrigues às 11h11
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Escrito por Tânia Rodrigues às 15h00
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Poema
Para que servem as guerras???
Para matar homens, mulheres e crianças....
Mas, para que servem as guerras?
Para matar homens, mulheres e crianças...
Para que servem as guerras?
Para matar homens, mulheres e crianças...
Para matar homens, mulheres e crianças...
Para matar homens, mulheres e crianças...
Para matar homens, mulheres e crianças...
Escrito por Tânia Rodrigues às 14h44
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Poema de Álvaro de Campos
Cruzou por mim,veio ter comigo,numa rua da Baixa
Aquele homem mal vestido,pedinte por profissão que se lhe vê na cara,
Que simpatiza comigo e eu simpatizo com ele;
E reciprocamente,num gesto largo,transbordante,dei-lhe tudo quanto tinha
(Exceto,naturalmente,o que estava na algibeira onde trago mais dinheiro:
Não sou parvo nem romancista russo,aplicado,
E romantismo,sim,mas devagar...).
Sinto uma simpatia por essa gente toda,
Sobretudo quando não merece simpatia.
Sim,eu sou também vadio e pedinte,
E sou-o também por minha culpa.
Ser vadio e pedinte não é ser vadio e pedinte:
E'estar ao lado da escala social,
E'não ser adaptável às normas da vida,
'As normas reais ou sentimentais da vida -
Não ser Juiz do Supremo,empregado certo,prostituta,
Não ser pobre a valer,operário explorado,
Não ser doente de uma doença incurável,
Não ser sedento da justiça,ou capitão de cavalaria,
Não ser,enfim,aquelas pessoas sociais dos novelistas
Que se fartam de letras porque tem razão para chorar lagrimas,
E se revoltam contra a vida social porque tem razão para isso supor.
Não:tudo menos ter razão!
Tudo menos importar-se com a humanidade!
Tudo menos ceder ao humanitarismo!
De que serve uma sensação se ha uma razão exterior a ela?
Sim,ser vadio e pedinte,como eu sou,
Não é ser vadio e pedinte,o que é corrente:
E'ser isolado na alma,e isso é que é ser vadio,
E'ter que pedir aos dias que passem,e nos deixem,e isso é que é ser pedinte.
Tudo o mais é estúpido como um Dostoiewski ou um Gorki.
Tudo o mais é ter fome ou não ter o que vestir.
E,mesmo que isso aconteça,isso acontece a tanta gente
Que nem vale a pena ter pena da gente a quem isso acontece.
Sou vadio e pedinte a valer,isto é,no sentido translato,
E estou-me rebolando numa grande caridade por mim.
Coitado do Álvaro de Campos!
Tão isolado na vida!Tão deprimido nas sensações!
Coitado dele,enfiado na poltrona da sua melancolia!
Coitado dele,que com lagrimas (autenticas)nos olhos,
Deu hoje,num gesto largo,liberal e moscovita,
Tudo quanto tinha,na algibeira em que tinha olhos tristes por profissão
Escrito por Tânia Rodrigues às 14h38
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O POETA E OS GIRASSÓIS
(Ao poeta Lindolf Bell – 1938-1998)
Tânia Rodrigues
O corpo do poeta dorme
na Timbó de campos semeados
(os girassóis altivos
ainda buscam a luz do sol)
O canto do poeta ecoa
no vale do Xockleng oprimido
(os girassóis altivos ainda
inspiram versos de esperança)
O amor do poeta grita
às margens do Itajaí-Açu
que pede passagem
(os girassóis altivos ainda
teimam em florescer no
coração das cidades concretas)
O sonho do poeta sustenta
sobre a terra úmida, aquecida e imensa
o sonho de vários homens
vários pássaros
vários peixes
(os girassóis altivos
renascem na dor absoluta)
O riso do poeta se espalha
feito semente nas colinas
e tocadores de bandoneons celebram
o brilho das manhãs ensolaradas
(os girassóis altivos não vivem
de beleza, mas têm dignidade)
O destino do poeta, vago feito
querubim, seduz a mãe que embala
o filho, sabedora de horizontes
(os girassóis altivos ainda se
curvam, mas apenas para o céu)
Escrito por Tânia Rodrigues às 14h16
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Do verbo almodovar
tenho a perna nos tornozelos, olhos vidrados
no chão
chove sobre a nuvem da poeira
que teimou um dia levantar vôo
alçar pássaros
folhas
e se deixar levar sobre os canteiros
tenho as mãos sobre a imensidão do nada
céu
mar
azul verde abacate
alicate trago no olho direito que é pra te arrancar de mim
a mancha
o grude
o suor e o sangue na carne trêmula
almodovar, ar, ar
rimarei
meu desejo de beleza singela
com teu jeito cruel de cactus
Tânia Rodrigues
Abril 2008
Escrito por Tânia Rodrigues às 14h08
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Sem título
O pai
junto ao fogão
Cercava-se de
borboletas
Vestia-se
de solidão.
Escrito por Tânia Rodrigues às 10h59
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NOITE QUE DESCE
É como um fado triste
o cantar dessa noite
que desce
sobre ossos e carnes
tomados de vícios
e fugas
...depois das caravelas.
Escrito por Tânia Rodrigues às 10h46
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Sem título
quis o tempo
me ensinar
com quantos pares de sapatos
gastos
se faz a vida
eu quase aprendi
não fosse cruzar
com saltos altos
desesperada
a avenida!
Escrito por Tânia Rodrigues às 11h06
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Do Fogo
Por mais
que tentas
oh, insensato ser
atônito por não ter
afoito por querer
relutas
insano
o fogo da paixão
te corta o ventre
profano
mentes, mas
ele, ardente
chega
e te consome!...
Escrito por Tânia Rodrigues às 11h04
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CANÇÃO AMIGA
(Drummond de Andrade)
Eu preparo uma canção em que minha mãe se reconheça, todas as mães se reconheçam, e que fale como dois olhos.
Caminho por uma rua que passa em muitos países. Se não me vêem, eu vejo e saúdo velhos amigos.
Eu distribuo um segredo como quem ama ou sorri. No jeito mais natural dois carinhos se procuram.
Minha vida, nossas vidas formam um só diamante. Aprendi novas palavras e tornei outras mais belas.
Eu preparo uma canção que faça acordar os homens e adormecer as crianças.
Escrito por Tânia Rodrigues às 14h46
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Humildade
(Cora Coralina)
Senhor, fazei com que eu aceite minha pobreza tal como sempre foi.
Que não sinta o que não tenho. Não lamente o que podia ter e se perdeu por caminhos errados e nunca mais voltou.
Daí, Senhor, que minha humildade seja como a chuva desejada caindo mansa, longa noite escura, numa terra sedenta e num telhado velho.
Que eu possa agradecer a Vós, minha cama estreita, minhas coisinhas pobres, minha casa de chão, pedras e tábuas remontadas. E ter sempre um feixe de lenha debaixo do meu fogão de taipa, e acender, eu mesma, o fogo alegre da minha casa na manhã de um novo dia que começa.
Escrito por Tânia Rodrigues às 14h33
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Escrito por Tânia Rodrigues às 14h30
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DECIDIDO
Acumulei pedras
Nos travesseiros
Venho do desespero
E sonhos perdidos
Não verbo mais
No pretérito imperfeito
Não há mérito
Em soluçar
Hoje espanto
O silêncio
No bater
De minhas asas
Beijo a flor
E um vento bom
Me ensina a voar
Voarei
Já sei aplacar espinhos.
Escrito por Tânia Rodrigues às 10h49
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